quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Procurem suas chaves

Preciso de férias. Uns 10 dias já serviriam. Uma semaninha para ver minha irmã, meus tios, amigos. Andar nos campos fronteiriços de minha região natal. Pasto verde sobre os pés. Ouvir a harmonia dos riachos abrindo espaço por entre árvores, pedras e terra. Andar a cavalo. Comer fora do horário. Sair dos padrões consequentes dos afazeres as vezes é bom.
Reanima. Reergue o "ser".
As vezes é bom parar. Parar tudo que se está fazendo e simplesmente fazer tudo não fazendo absolutamente nada. Parar de falar, de pensar, de falar, de ver. Parar tudo.
Criar uma atmosfera metafísica do silêncio. Deitar sobre a sombra de uma árvore qualquer e ouvir o som do universo, ouvir o OM em si mesmo e nos aproximarmos de nosso início/fim como organismos vivos. Deixar esvair-se toda sobrecarga negativa dos dias, horas e minutos atribulados que vivemos boa parte dos 365 dias do ano. 
Parece-me que o "mundo" (os administradores de Gaia) têm andado cada vez mais velozes, mais exagerados, mais demais para tudo. Exageros elevados. Conflitantes. Hiperativos. Doentes.
Como organismos ativos em meio a sociedade, somatizamos todas as vibrações, tanto boas, quanto as más. E o que fazer quando isso começa a afetar seu descanso, sua paz, seu silêncio? Um ótimo método seria esse que citei acima. Uma fuga alegre, uma esquiva que vale a pena.
Porém nem tudo é como queremos ou necessitados. Estamos presos ao ciclo da produção coletiva e individual para tornarmos o mundo "melhor". Piada não é? Todos requerem, sem ceder. Todos pedem sem doar. Todos necessitam sem provar. Todos precisam sem respeitar. Isso não é tornar o mundo melhor. Isso é tornar os homens piores. Isso é construir aos poucos uma prisão ao redor. Ao redor de suas propriedades, ao redor do "si mesmo".  Tornar o mundo melhor é sorrir ao amanhecer. Lembrar que por mais que estejamos tristes ou abatidos existe alguém em uma situação um pouco pior que a sua. É poder fazer uma pessoa sorrir durante seu dia, no mínimo uma pessoa. Com piadas? Com cócegas? Com brincadeiras? Não sei, deixe a criatividade dominar os níveis de serotonina de seu organismo. Tornar o mundo melhor é lembrar de manter interações pessoais sempre ativas. Filas de banco, filas de pagamento, corredores da Universidade, supermercados, bares etc... Todos são contribuidores para o início de uma interação social. Uma vez por dia, só uma... 
É amar agora, é ter amado ontem, é amar amanhã de novo. Amar pessoas diferentes? 
Sim, por quê não? Precisamos perder esse "dom" que o ser humano adquiriu de achar que o amor é prisioneiro, que as paixões são uma condenação da libído. Precisamos parar de entramos na prisão. Se por acaso entrarmos por algum motivo ou outro, devemos lembrar que a chave está no bolso. Ou da camisa, ou da calça, não sei, mas que ela está com você, ahh sim, ela está sim.
A chave de todos os problemas está com você. Tudo está em você. O universo é você. A frase que falarei agora já foi abordada em outro texto, e volto a repetir:
Você decide se seu mundo pode ser melhor ou não. 

Preciso da minha alegria, do meu companheiro silêncio por alguns dias. Entrar em harmonia com o ritmo da orquestra que pulsa dentro do ser biológico. Decididamente preciso de férias. Preciso procurar nos bolsos e achar a chave para sair dessa prisão de normóticos
Entrar em algum riacho e deixar que sejam levados esses fluídos de normose que absorvemos dia após dia. 
Todos precisamos bater um papo com o Self de vez em quando. Procurem suas chaves. 
Procurem pois tenho certeza que estão em algum dos seus bolsos.

J.Gonçalves, 22 de agosto de 2013. (Três semanas de aula que parecem um ano. Preciso de meu silêncio. Preciso dos barulhos orquestrais de minha mente)